Eleições brasileiras e a metamorfose tecnofascista do golpe

Joeline Rodrigues

Sumário: Maquinações fascistas e imperialistas ameaçam minar as eleições brasileiras – Editores
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Da ruptura institucional de 2016 à disputa de 2026, o Brasil atravessa uma transformação das formas de disputa pelo poder. O golpe já não precisa de tanques nas ruas, pode operar por meio da manipulação da informação, das plataformas digitais, da pressão econômica e tarifária, da captura institucional e da interferência geopolítica.

O Brasil chega às eleições de 2026 carregando uma experiência de sucessivas tentativas de golpes, com ou sem êxito e disputas cada vez mais intensas em torno das instituições democráticas. A eleição não pode ser compreendida apenas como uma disputa entre candidaturas, pois ela se insere em um processo histórico-político mais amplo, no qual as formas tradicionais de intervenção política se combinam com mecanismos digitais, financeiros, midiáticos e geopolíticos.

É nesse sentido que podemos falar em uma metamorfose das fomas do golpe conectado com o metabolismo co capital. Não se trata de afirmar que os acontecimentos de 1964, 2016, 2022 e 2026 sejam idênticos, mas reconhecer que suas diferenças são justamente o que nos permite compreender como as estratégias de disputa pelo poder se transformam conforme mudam as formas de produção de da riqueza, os meios de comunicação, as tecnologias de controle e as relações internacionais.

Em 1964, o golpe assumiu a forma clássica de um golpe militar.

Em 2016, o afastamento de Dilma ocorreu por meio de um processo institucional de impeachment, em um contexto de crise política e econômica, dentro dos limites da Constituição Federal e da democracia, mas sem nenhuma prova de crime. Já que o Brasil, a Petrobrás e a própria presidenta estavam na mira da espionagem do Pentágono, tendo em vista a recém descoberta das reservas de pré-sal por todo o litoral brasileiro. Como fora demonstrado por Edward Snowden, Os EUA monitoravam informações estratégicas brasileiras, inclusive relacionadas ao petróleo, colocou em evidência a dimensão geopolítica da disputa em torno dos recursos estratégicos do país.

A partir de então, abriu-se caminho para a ascensão da extrema direita bolsonarista no Brasil que com a pavimentação pela via golpista lavajatista que levou Lula à prisão em 2018 determinada pelo juiz Sérgio Moro da Comarca de Curitiba, com acusação sem provas, só “convicção”, retirando-o do campo político e da disputa eleitoral, inflando o antipetismo em contexto de crise que desembocou com a eleição de Bolsonaro à presidência em 2018.

Em 2022, a tentativa de golpe apresenta outra configuração. Já há uma articulação internacional com a participação de Fernando Cerimedo – estrategista digital de extrema direita que utilizava fazenda de bots – na campanha de Bolsonaro para tentar descredibilizar o sistema eleitoral, que não funcionando e ainda assim, Lula vencendo as eleições, culminou no trágico 8 de janeiro de 2023 quando manifestantes invandiram e depredaram as sedes dos três poderes da República em Brasília e visava fragilizar as instituições e o mandato do presidente Lula eleito e empossado em um evento histórico com a subida da rampa presidencial do Palácio do Planalto com a participação de vários setores sociais historicamente excluídos como os povos indígenas.

Essa vitória da democracia brasileira teve um protagonista inesperado, fora do campo político tradicional, mas fundamental para a manutenção da “ordem”. Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, ministro do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2022 que sustentou as instituições contra toda investida de golpe da extrema direita, levando adiante o processo contra os golpistas de 8 de janeiro baseado na Constituição Federal, condenado-os e prendendo os golpistas, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

Ademais, nesse período os bolsonaristas não gozavam do apoio irrestrito dos EUA para lograrem êxito em suas intentonas, que sob governo Biden, seguiu apoiando discretamente a eleição e a democracia no Brasil, segundo matéria do Financial Times de 21 de junho de 2023, o qual reconheceu imediatamente a vitória de Lula.

Em 2026, o golpe muda de forma, pois os EUA com Trump, JD Vance e Marco Rubio no poder são outros quinhentos. E nessa conjuntura neocolonialista imperialista, a disputa pela democracia ocorre simultaneamente em várias frentes: eleitoral, institucional, econômica, informacional, cultural, tecnológica, nacional e internacional. Pois as redes sociais passaram a ocupar um lugar central na formação da opinião pública.

As BigTechs, plataformas privadas mantidas por CEOs de extrema direita, tornaram-se espaços decisivos de circulação de informações políticas, enquanto algoritmos determinam, em grande medida, aquilo que cada indivíduo vê, reproduz e considera relevante. A disputa pelo poder passa, assim, também, pela disputa sobre a própria realidade compartilhada.

Dessa forma, ao contrário do que muitos poderiam imaginar que teríamos uma eleição fácil com a condenação e prisão dos golpistas, temos uma eleição totalmente atípica com intervenção direta e explícita dos EUA a pedido dos filhos de Jair: Eduardo Bolsonaro que está morando nos EUA pedindo intervenção como um traidor da pátria, e o irmão, Flávio Bolsonaro, candidato à presidência.

Flávio foge dos debates e entrevistas para não se denunciar pelo envolvimento no caso Master como expôs o Intercept – banco criado no governo de seu pai, Jair Bolsonaro. Pois, Flávio recebeu dinheiro de Vorcaro – dono do banco – com o argumento de que seria para o filme “Dark horse” sobre o pai Jair Bolsonaro. Teria ainda visitado Vorcaro quando este já estava de tornolezeira para cobrar dinheiro, além de conversas de whats app e viajado no jatinho dele de Miami a Brasília, o que negou publicamente e foi desmentido em cadeia nacional com as provas da investigação da Polícia Federal.

O banco Master é um problema da família Bolsonaro, pois foi criado no governo de Bolsonaro, foi o Banco Central do governo Bolsonaro que autorizou sua criação e recebeu dinheiro público do Governo do Rio de Janeiro, do Rio Previdência, dinheiro das aposentadorias, que tinha o diretor sido indicado pelo então Senador Flávio Bolsonaro. Por isso, os 134 milhões que Flávio pediu ao Vorcaro, chamando-o de irmão – pois ambos se autodeclaram cristãos evangélicos, na verdade configura-se como propina em decorrências dos 3 milhões que o Rio Previdência colocou no Banco Master. Somente no governo Lula que o Banco Master foi fechado – o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial –  Vorcaro investigado e preso e realizada a devolução das aposentadorias, informação distorcida pela campanha de Flávio que o acusa de envolvimento, quando não o associa a Alexandre de Moraes.

Pois a prisão de Vorcaro e a divulgação de todas as conversas de whats app, documentos e delações premiadas expuseram a fragilidade das instituições burguesas, inclusive do Supremo Tribunal Federal que teve boa parte dos ministros envolvidos em relações escusas com vantagens para todos os lados, como Alexandre de Moraes em que o escritório da mulher tinha um contrato de 133 milhões, André Mendonça – ministro terrivelmente evangélico indicado por Bolsonaro – que recebeu 5,5 milhões em contrato com seu Instituto e alguns ternos, o ministro Kassio Nunes recebeu 427 milhões para destravar precatórios como mostram as mensagens de whats app. Kassio Nunes atualmente está como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ou seja, vai liderar as eleições presidenciais 2026 e até o momento não renunciou diante das acusações.

A desmoralização do STF com a crise implantada pelo caso Master que envolveu o ministro-chave à manutenção da democracia em 2022, Alexandre de Moraes, para impedir o golpe em curso à época, sacudiu o Brasil. Após o cavalo de Troia bolsonarista, o ministro André Medonça, que serve de lacaio ao bolsonarismo e aos EUA (onde se formou nos mesmos laboratórios conservadores que formaram os lavajatistas que prenderam Lula em 2018), para implodir a própria instituição da qual faz parte ao encaminhar investigação indevida contra Alexandre de Moraes e tentar expô-lo na sessão realizada no último 15 de setembro.

Além de emprestar dinheiro e proporcionar vantagens financeiras, Vorcaro organizava festas com essa horda de homens conservadores com modelos escolhidas brasileiras e estrangeiras a dedo. Uma das festas, divulgada agora em setembro, gerou um escândalo nacional, pois reuniu estes homens que se dizem evangélicos, em uma festa do dia das bruxas em 2023 em um clube chamado Madame Satâ em São Paulo. O evento reuniu 140 pessoas, 120 mulheres e 20 homens, cerca de 6 mulheres para cada homem. O que indica que o caso Master seria uma espécie de caso Epstein à brasileira, demonstrando que a lógica do heteropatriarcado capitalista de poder não é uma exceção estadunidense, mas da forma de organização das relações de exploração e opressão vigentes e dominantes em qualquer lugar, seja o império ou a classe dominante colonizada.

Nesse viés que Flávio Bolsonaro segue a agenda entreguista com o plano de governo escrito em inglês, ou seja, não é para brasileiro ler. O texto escrito por André Marinho, filho do suplente de Flávio Bolsonaro, em 19 de março e descoberto recentemente com o slogan Prosperity Partnership que afirma a entrega das terras raras,  foi referendado pela fala de Flávio Bolsonaro em Dallas em 28 de março quando disse que o Brasil é a solução para os EUA superarar a dependência das terras raras da China. No dia seguinte esteve com Trump, Marco Rubio e JD Vance, o vice-presidente dos EUA e grande articulador internacional de uma rede de extrema direita chamada Rockbridge, com a pauta das terras raras. O articulador da Rockbridge no Brasil criou um Comitê de campanha para Flávio Bolsonaro em São Paulo. A rede é composta por vários empresários brasileiros.

As articulações em torno das terras raras acrescentaram outra dimensão estratégica à disputa, pois são minerais essenciais para setores tecnológicos e industriais de fundamental importância geopolítica, já que o Brasil é o segundo maior reserva de minerais críticos, além de petróleo, água e produção de alimentos, recursos naturais e estratégicos  e, por isso, esta eleição não é uma questão puramente nacional, mas internacional, de soberania e democracia, pelo pepel que desempenha na região – Sul Global, América Latina – e nos BRICS.

O Brasil se tornou um território de disputa imperialista e neocolonialista entre projetos geopolíticos distintos, explícito nestas eleições. Lula falou, no último dia 22, em seu discurso na Conferência da ONU em Nova York que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e alertou para os riscos de interferência estrangeira nas eleições e defendeu a soberania brasileira diante de pressões externas. Claramente posicionando-se contra a Doutrina Monroe de Trump que com suas intervenções tem arrastado toda a América Latina para a extrema direita para onde quer levar também o Brasil.

A intervenção dos EUA nas eleições latino-americanas tem logrado êxito, como vimos na Argentina de Javier Milei em 2025 apoiando-o com recursos para sair da crise e manter-se no poder, como de fato ocorreu. Na Colômbia, apoiou o empresário Eduardo de la Espriella contra o candidato de Petro, seu adversário direto, abrindo contra ele uma investigação por tráfico de drogas. Espriella ganhou e já iniciou a entrega, preço pago pela subserviência ao imperialismo neocolonialista tecnofascista. Em junho, sob a insignia do Escudo das Américas, Trump decretou o PCC e o Comando Velho como narcoterrorismo, claramente abrindo caminho para a intervenção

A intervenção do imperialismo decadente é irrefutável e se configura uma ameaça não apenas à democracia brasileira, mas global, que a Meta tem derrubado perfis, vídeos e posts de pessoas que tem investido em esclarecer o que está acontecendo no país, em justificativa. Como o vídeo Revelando de Fabio Porchat no youtube onde mostra claramente a rede de relações nefastas do caso Master com as igrejas evangélicas e a política institucional, bem como, o perfil de campanha de Lula. Pois incrivelmente, os humoristas brasileiros estão fazendo mais jornalismo sério que a velha mídia corporativa evitando passar a informação clara e correta dos escândalos em que Flávio Bolsonaro está metido e mentindo.

Como toda repercussão das intervenções diretas e indiretas dos EUA nas eleições brasileiras, após a participação de Lula na ONU, em 24 de setembro, que um grupo de 31 parlamentares democratas estadunidenses e pelo Senador Bernie Sanders enviam carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo respeito ao pelito brasileiro e acusam a Casa Branca de medidas para favorecer a candidatura de Flávio.

Com todo o apoio das Bigtechs e dos EUA que Flávio Bolsonaro teve nesse período, ele que iniciou as pesquisas de intenção de voto indicando que Lula poderia ganhar e se reeleger no 1º turno, alavancou nas intenções chegando ao empate técnico com o presidente Lula nos últimos dias, ainda que o presidente Lula siga à frente com cerca de 4 pontos percentuais (Lula 40%, Flávio 36% segundo pesquisa Datafolha) e com os recentes acontecimentos que estão sendo o vetor da métrica das intenções já que esta eleição não teve debate público.

O golpe vai se metamorfoseando historicamente com as novas formas de produção da riqueza e manipulação das consciências, se em 1964 tivemos um golpe militar e em 2016 tivemos um golpe branco com o impeachment de Dilma, o que está em curso em 2026 é o golpe tecnofascista com as intervenções diretas e “indiretas” pelo controle das redes sociais, da informação e o colonialismo digital e a financeirização da vida sob a sanha colonialista estadunidense e sua ganância imperialista com o apoio da parcela da sociedade brasileira que segue com sua mentalidade racista e escravocrata vira-lata que se sente confortável com a subserviência entreguista aos EUA como vimos no ato do 7 de setembro – Dia da Independência do Brasil – de Flávio Bolsonaro com a bandeira dos EUA, bonecos do Trump e André Mendonça na Av. Paulista. Há uma erosão gradual em curso: produzir descrédito do sistema eleitoral, deslegitimar e desmoralizar tribunais, sobretudo o Supremo, desinformação, transformação da soberania em mercadoria geopolítica e criar a sensação de desordem, de caos necessária para intervenção e a captura dos recursos estratégicos para ampliar a lógica imperialista colonial tecnofascista.

Diante de tantas intervenções políticas, econômicas e digitais pelas Big Techs diretamente interessadas nos recursos tecnológicos, há especulação de que o cancelamento, sem justificativa, da terceira temporada da série Cangaço Novo seja fruto da intervenção político-cultural na decisão de Jeff Bezos da Prime Amazon pós decretação de Trump de que PCC e Comando Vermelho seriam narcoterroristas. Pois, a série premiada e com repercussão internacional em mais de 50 países, sucesso no continente africano, faria apologia à insurgências criminais, o banditismo, tal como o nome da série que recupera a memória do movimento cangaceiro originário do Nordeste do Brasil, que majoritariamente está alinhada à esquerda e apoia Lula nas eleições, região que sofre com as mazelas do colonialismo interno e maior beneficiária dos projetos sociais dos governos do PT. Diferente do crime organizado do Rio que quer ocupar o Estado e de São Paulo que quer enriquecer com a Faria Lima, os movimentos insurgentes do Nordeste, como o Quilombo de Palmares, Canudos de Antonio Conselheiro ou mesmo o Cangaço, almejam criar um outro país. E isso além de ser ameaçador para a consciência de classe que se quer impulsionar nas eleições, a ideia de um movimento armado e insurgente ser absorvido por algum movimento de esquerda antifascista em meio às eleições e em tempos em que o avião que sequestrou Maduro na Venezuela encontra-se no pátio da Base Aérea de Campo Grande no Mato Grosso do Sul no Brasil e Trump coloca soldados estadunidenses para aprender português sem justificativas não é “apropriado”. Pois como dizia Gramsci, “a conquista do poder cultural é prévia a do poder político”, pois o fascismo se sustenta na formação das concepções de mundo utilizando-se da arte e da religião.

A religião tem sido outro mecanismo de manipulação, já que os Bolsonaro se declaram cristãos evangélicos de viés sionista e tranquilamente defendem o uso de armas e violência contra os “outros” que não comungam com os “seus”. Os evangélicos conformam-se hoje em número maior que os católicos, mas os cristãos formam a maioria dos eleitores de Flávio. Com a divulgação do suposto projeto de lei que Flávio Bolsonaro teria para destituir a Nossa Senhora Aparecida do calendário oficial de padroeira do Brasil ao tornar-se presidente – venerada tanto por católicos quanto por seguidores das religiões de matriz africana –  o feitiço se virou contra o feiticeiro, já que a família Bolsonaro sempre espalhou a fakenews de que o PT e Lula eram comunistas e fechariam as igrejas. Chegando inclusive a André Medonça pedir para Meta derrubar o post de Andre Tabet – humorista baste conhecido no Brasil em que afirmva que a “família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.

A repercussão trouxe à tona vários casos de violência da igreja evangélica contra católicos e religiões de matriz africana que compartilham da fé nos santos, que forjaram um tipo histórico bizarro como o narcoevangélico como ocorre no complexo de Israel no Rio de Janeiro e tem o narcopastor Peixão que comanda a região e proibe qualquer manifestação religiosa católica ou de matriz africana e evangeliza com a ponta do fuzil. Recentemente em Fortaleza, lojas de santos católicos e de produtos umbandistas foram quebradas, vandalizadas e receberam ameaças de morte com mensagens deixadas nas portas claramente evangélicas, pois dizia “orienta-te a não fazer ídolo” “Eu, o senhor, quem falo”.

Houve reação de vários padres e bispos de forma direta ou indireta como um grupo de padres tocando e cantando Bella Ciao, e inclusive da CNBB, acusada por Flávio de espalhar a “fakenews”, lançando, que em Nota oficial esclarece que não faz campanha ou apoia qualquer partido. Ao que tudo indica, a uma semana da eleição, será uma mulher negra e pobre, a Nossa Senhora Aparecida – tudo que a extrema direita odeia – que vai ventilar a vitória de Lula. Que ela, que como no Auto da Compadecida – um clássico da literatura brasileira – apareceu no último minuto, “ilumine” as consciências dos algoritmos às urnas e os caminhos para a vitória no dia 4 de outubro com Lula reeleito no 1º turno, a manutenção da democracia, para obtenção de algum fôlego para imaginar e criar futuros possíveis que possam ir além da disputa eleitoral e dos critérios pré-definidos pelos centros econômicos e tecnológicos do mundo para e com os grupo subalternizados.

 

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